a minha fibra

registe-se

Registe-se! Faça parte do Cluster Redes de Nova Geração.
Estabeleça parcerias neste ponto de encontro online.

As RNG poderão gerar em Portugal receitas da ordem dos 1,5 mil milhões de euros anuais aos operadores de telecomunicações, segundo estimativas de peritos, como destacou Graça Bau no roadshow que a APDC está a promover pelo país, patrocinado pelo MOPTC e pelo MEI, no âmbito do QREN - programa Compete.

Roadshow RNG em Lisboa - Iniciativa promovida pela APDC e pelo QREN

Falando no evento realizado no Taguspark, em Lisboa, perante mais de uma centena de pessoas, na maioria de PME do sector das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), Graça Bau, divulgador do projecto das Redes de Nova geração (RNG) garantiu que 'finalmente há uma área onde Portugal tem competências únicas e onde estamos a partir em antecipação aos demais países'. Factores únicos que, no seu entender, devem ser aproveitados.

Para isso, considera ser essencial promover a colaboração entre os diversos actores da sociedade. 'Queremos encontrar mecanismos para que as muitas competências já estabelecidas no país possam participar e colaborar num projecto que só pode ser comum'. Para este responsável, a mensagem é simples: 'somos pequenos e a janela de oportunidade é estreita, pelo que não podemos dispersar esforços'. Empresas, indústria, universidades, centros de I&D e operadores de RNG devem, por isso, fazer um grande esforço de articulação para melhor e mais rapidamente responder às necessidades do País e até mesmo às necessidades de outros mercados.

Por outro lado, a revolução gerada pela Internet com a desmaterialização é uma oportunidade para Portugal. Porque todos os países de pequena dimensão, desde que sejam inteligentes e rápidos, poderão ter vantagens neste âmbito. A entrada no novo paradigma da desmaterialização, em que tudo é convertido em bites e depois 'rematerializado na Internet, está agora a ser percebido mundialmente. Portugal está na frente desta interpretação e tem todas as condições para ter um importante papel, mesmo internacionalmente, nesta nova industria que vai revolucionar todos os ecossistemas socioeconómicos em termos mundiais, desde a saúde à educação, passando pelos transportes, organização administrativa, turismo e entretenimento.

Este paradigma da 'rematerialização' pode ser bem entendido com o exemplo do teatro que é desmaterializado em bits e rematerializado no 'vídeo on demand ou com a simples mensagem que segue por mail. Ou através de uma conferência no Skipe em que nos sentimos junto a outra pessoa sem sairmos da nossa cadeira. Ou ainda por um diagnóstico médico que aparece na mão do grande especialista nacional a 300 quilómetros de distância', refere Graça Bau.

Para este responsável, um ecossistema de telecomunicações e SI suportado nas RNG deverá ter por base uma 'estrutura colaborativa e estrategicamente organizada' que inclua não só os operadores de telecomunicações, mas também a indústria no seu todo, os clientes destes serviços, as instituições ligadas à investigação e desenvolvimento e mesmo o sistema educativo. Só assim será possível levar por diante um projecto desta dimensão e tirar completo proveito dos seus benefícios, em tempo útil e que nos permita internacionalizar quando os outros ainda não integraram completamente o fenómeno, garantiu.

Importante também é, para além do desenvolvimento de serviços, incentivar o trabalho das empresas nacionais na área das componentes tecnológicas que são necessárias para construir as RNG. Nomeadamente fibras ópticas, equipamentos ópticos e TV Boxes. É que, actualmente, Portugal continua a ter que comprar equipamento no estrangeiro, numa altura em estão a ser investidos milhares de milhões de euros na concretização das RNG. Por isso, 'é preciso promover esse desenvolvimento nacional na área de componentes, uma vez que temos a vantagem de, nas RNG, estar à frente dos nossos parceiros europeus e de, pela primeira vez, poder vir a ser seus fornecedores em vez de compradores neste sector de vanguarda tecnológica '. Este será mais um passo num processo em que Portugal 'está, felizmente, numa rápida transição de um país de mão-de-obra barata para um país de produtos de alto valor acrescentado e diferenciados'.

João Pereira, representante da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações (APDC), entende que a passagem do cobre para a fibra óptica significará não só o desenvolvimento de novos negócios e novos serviços mas também o derrubar de antigas barreiras e a criação de grandes oportunidades para empresas, instituições e pessoas em geral.

O desenvolvimento de aplicações e serviços inovadores deverá abranger áreas fundamentais para a sociedade. Como a educação e a aprendizagem, a saúde e a qualidade de vida, a eficiência energética e o ambiente, a mobilidade e o desenvolvimento urbano sustentável, a eficiência organizacional, a segurança de pessoas e bens, o turismo, a cultura e o lazer.

Este roadshow, iniciativa promovida pela APDC e pelo QREN, tem por objectivo dar a conhecer os projectos de fibra óptica e os incentivos financeiros para as pequenas e médias empresas. Depois das apresentações da Covilhã, Coimbra, Aveiro, Lisboa e Évora, seguem-se as cidades de Faro (Universidade do Algarve, Campus de Gambelas), a 26 de Junho, do Porto (Inesc Porto) e de Guimarães (Avepark), ambas a 29 deste mês. Recorde-se que o programa COMPETE tem para este tipo de projectos apoios no valor de 41,7 milhões de euros de financiamentos estruturais. O prazo de entrega de candidaturas termina a 15 de Julho.